O Perfil do Professor e a Indisciplina

Pare um minuto para pensar na seguinte hipótese: Se os seus alunos fossem inquiridos sobre o que acham de você, qual seria a resposta deles? Você acha que eles lhe respeitam ? admiram? ignoram? Consideram você uma (um) tirana (no) ? Acham sua postura digna ? Acham que você é educada (o) ? Os seus alunos acham que a sua opinião tem valor e merece ser ouvida ?

Mas, o que tem a ver saber o que os alunos pensam de você? Em muitos casos  a indisciplina na sala de aula está associada a imagem que os alunos fazem do Professor.

Se algumas das respostas encontradas foram negativas, então você tem um sério problema de relacionamento interpessoal com os seus alunos. Isso ocorre quando o relacionamento ocorre de forma  unilateral, ou seja, apenas um dos envolvidos tem a primazia sempre.

Isso ocorre também o aluno vê falta de integridade e congruência na fala e no comportamento do Professor, quando isso acontece,  tenha certeza, o caminho estará aberto a indisciplina na sala de aula. Afinal quem respeitará um Professor que pede silêncio gritando ? Ou que pede para que o aluno seja justo, quando esse mesmo Professor se utiliza de ameaças e intimidações ?

O bom relacionamento é uma mão de duas vias, ou seja, implica que  ambos saibam ouvir, falar, argumentar para que possam  chegar a um consenso ideal na resolução de qualquer questão. Neste tipo de relação ambos conseguem crescer, pois amadurecem tendo de lidar com conflitos e situações limite no dia a dia.

Agora, como isso ocorre no dia a dia da sala de aula e dentro da Escola como um todo? Bem, o Professor precisa sair de uma postura rígida, autoritária e atuar mais como um líder usando de autoridade para gerir o processo pedagógico. Veja abaixo os dois perfis:

O Professor que tem autoridade O Professor que é autoritário
Sabe conversar, ouvir, falar de modo respeitoso e tranquilo Grita, vocifera, esbraveja, murmura
Respeita opiniões  e sabe argumentar ameaça com notas baixas e reprovação,
Sabe mediar conflitos ameaça com advertências, suspensão, e envio a Coordenação/Diretoria
Discute as regras de forma coletiva Impõe normas e regras  de forma arbitrária
Sabe realizar gerenciamento da sala e do processo pedagógico Por não dispor de ferramentas e estratégias sempre se utiliza de coerção

Mas, como sair do modo autoritário e atuar com autoridade ? Basta aprender e começar a  praticar as atitudes que mudarão o tom desse relacionamento.

O Professor que tem autoridade ganha o respeito e a admiração de todos porque:

  • – é competente no que faz  pois  domina os conteúdos
  • – tem estratégias criativas para estimular a curiosidade dos alunos
  • – está sempre por dentro de novas estratégias e novas tecnologias
  • – realiza sempre cursos de formação continuada
  • – é modelo de integridade e boas maneiras para todos os seus alunos
  • – enxerga além do plano de ensino e procura estimular os talentos dos alunos
  • – procura conhecer como “funciona” a cabeça do jovem, seus interesses e comportamento
  • – sabe “traduzir” o conhecimento na linguagem e dentro da realidade da criança e do jovem

O ser humano é um ser emocional, e  o seu aluno jamais lhe respeitará apenas porque você tem um diploma dizendo que é o Professor. O respeito  e admiração surgirão quando ele tiver certeza do tipo de pessoa que está por baixo do título e do diploma. Esta autoridade é conquistada quando esse aluno comprova que você se importa, quando você demonstra  atitudes proativas, bons exemplos e competência naquilo que você faz.

Então é hora de refletir se o relacionamento que você tem hoje com seus alunos é positivo ou não. Se ainda não for, então onde será preciso ajustar? O que deve ser modificado ou melhorado ? Só tem um jeito de saber isso: perguntando.

Aqui vai uma tarefa para você fazer amanhã:  Peça para os alunos  dramatizarem, desenharem, cantarem, e se for preciso: peça para eles falarem !!

Então, ficou curiosa (o) para saber o que eles pensam de você ?  Aguardo seus comentários no blog.

Dica de Leitura:

Taille,Yves de La. Limites:Três Dimensões Educacionais.152 pags.Ed.Ática

 

Recursos para os Professores:

 

Gestão da Sala de Aula

Recurso para o Coordenador Pedagógico:

planejamento escolar

Roseli Brito: Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional, Neuroeducadora e Coach.

49 Comentários

  • Marcelo Tironi

    Obrigado pessoal por esse texto, eu sou um aluno de uma escola onde os professores querem mais é ”ferrar” o aluno e não se dão conta que o seus comportamentos é piores que os nossos e que cada vez mas esses professores estão deixando o lado pessoal pra um lado e focando mais no autoritarismo e falando que eles são os professores e nos alunos temos que obedecer os acima de qualquer coisa =/ obriga gente agora tenho mais coisas pra argumentar a favor minha defesa como aluno.

  • elisa

    Antes de ler este texto eu ja tentava ser mais tolerante, calma, afetuosa e procurava fazer algum diferencial, no entato na prática é diferente, estou gestante de 7 meses e ainda assim, mesmo tendo se esforçado e acreditado em uma possível mudança, até ameaçada ja fui…sinceramente tem hora que penso até em mudar de profissão…o nervoso ja me dominou…alguma estratégia???

  • MARLENE

    Todo educador deveria repensar quando algo não vai bem em sua sala, pois todo aula mal planejada ou sem planejamento, vai sempre terminar em indisciplina, desinteresse total. Caiam na real caros colegasssssssssssss…………………, vivemos num mundo globalizado onde nossa clientela seja rica ou pobre andam antenada e super atualizada, por isso devemos acompanhar seu raciocínio. bjs………

  • Márcia

    Ándo indignada com meus alunos o problema está nA lei 8069, que dá direitos e deveres e é mal interpretada por todos.
    A lei só deveria existir para exploração do trabalho infantil.
    Esses alunos mal educados estão recebendo presentes em troca de honestidade e bom comportamento, crédo!!! Se não reformularem essa lei estaremos perdidos.

  • luiza angela lemes

    Eu sou professora do 4º ano e não consegui trabalhar com esses alunos eles são muito indisciplinados, tive que entregar a sala.
    Adorei o texto, gostaria de receber mais dicas de como ser um bom professor.
    O Texto é importantíssimo, todo professor deve ler e passar a vestir a camisa da Educação, ser responsável, atuante, impor limites, respeito, valorização do que faz, ser solidária, competente.
    Por favor me ajuda grato.

  • marilene alcantara

    Muito bom o texto, quase me convenceu de era eu a errada no processo.Mas comecei a rememorar fatos e cheguei a conclusão de que é assim ,mas não é bem assim!Eu sou aquela professora que todos os alunos gostam, adoram quando eu chego,trabalho sem o menor problema,mas isso só acontece até que eles peçam alguma coisa que eu não possa permitir.Pronto!Mudou tudo,claro que nem para todos, mas para alguns alunos, ouvir a palavra ,não é fatal. Decidem que são eles que mandam e que estou lá para satisfazê-los.Aí, chega a hora de negociar,e nesta negociação perde-se tempo,não consigo desenvolver o meu trabalho que vinha tão bem, e sou taxada de chata até a próxima aula.
    Bem,isto posto concluo que por mais que o professor tente ser “legal”,nunca será para todos, problemas teremos sempre,afinal lidamos com pessoas e, são singulares,não há receita pronta para dar certo,o que podemos é ir tentando,acertando e errando até a aposentadoria.

  • Wanda Maria

    Adorei o texto, gostaria de receber estratégias para momentos de ludicidade, em Língua Portuguesa.

  • maria luiza

    nossa, o texto da receita para o professor, afinal ele é culpado de tudo.Tem que ter muita fé, porque teoria tem bastante.

  • felipe

    e um artigo muito bom pena que nao seja completo pois reformas de base que tanto precisam nao sao feitas ou seja nao adianta investir no professor se nao se investe no aluno e vice versa uma requisiçao antiga de professores experientes e a diminuiçao do numero de alunos em sala de aula pois 45 alunos numa sala de ensino fundamental nimguem merece como trabalhar a individualidade dessa forma quanto mais nos dias de hoje em que existem varias ocupaçoes aos alunos o è como querer criar uma arvore sem uma raiz forte quando ela crescer vai cair .

  • ieda carlos

    Gostei muito do texto, mas acredito que a indisciplina impera em algumas salas. O professor sozinho não realizará um bom trabalho se os alunos não fizerem a sua parte e principalmente se não houver a parceria com as famílias dos alunos envolvidos. O desrespeito para com o professor tem crescido muito, mesmo sendo ele autoritário ou tendo autoridade.Os valores se perderam ao longo dos anos,e os pais estão deixando de fazer a parte que lhes cabe, atribuindo ao professor o fracasso do seu filho. O professor, que estuda, preocupa com o seu trabalho realizando as suas aulas exatamente como ditam grandes educadores, nem sempre são fortes o suficiente para encararem e engolirem os sapos do dia-a-dia que enfrentam na sala de aula, mesmo porque os seus nervos não são de aço.

  • Janaína

    Gostei do texto, porém o que o prof.Carlos Marcelo da Silva
    é tudo o que tb acredito. Tem gente que diz ” o que seria da escola se não tivesse alunos!…é tudo para eles…” Está bem, coloca um aglomerado de crianças e adolescente dentro de um prédio sem o professor, para coordenar, orientar…( e chama de escola!) o resultado… o que se vê hoje…analfabetos, ignorantes e anarquistas que frequentam a escola… pois professor está em extinção… restam poucos bravos, corajosos colegas que ainda resistem a má renumeração, ao descaso e desrespeito da sociedade em geral.

  • Eziquell de Lima

    Muito esclarecedor este texto. De fato, muitas vezes não admitimos nossos erros e isso torna as coisas mais dificeis. No meu caso,preciso melhorar em muitos pontos.
    Parabéns pelo texto.
    Eziquel de Lima

  • Anselmo

    Concordo com os comentários do Sr. Carlos Marcelo e acrescento que ainda temos que conviver com alunos que simplesmente, não querem aprender e outros que são aprendizes de traficantes, como colocar em prática os excelentes exemplos citados no curso quando os maus alunos promovem a bagunça e nada de novo pode ser colocado? Já sei, transferência… detalhe, a mãe dos “anjinhos” não querem que eles estudem em outra escola, esta na qual ele se encontra está ótima.

  • Vandete Gabriel Vieira Pereira

    Muito bom o artigo, todo professor deve saber gerenciar sua sala de aula, pois a maioria da indisciplina ocorre por falta de estratégia e de mudanças na sua prática,inovar-se faz parte do cotidiano para quem quer continuar na educação.

  • moema

    Texto importantíssimo, todo professor deve ler e passar a vestir a camisa da Educação, ser responsável, atuante, impor limites, respeito, valorização do que faz, ser solidária, competente e assíduos. Realmente temos uma clientela diferene, contudo temos que nos preparar, pois só venceremos os desafios, se sobermos conquista-los, entrentados com coragem e preparados para enfrentarmos todos e qualquer obstaculos. Com seriedade e carinho profissional.
    Sabemos que cada dia as famílias estão mais afastados de seus filhos. contudo teremos que procurar soluções e colaborações, de entidade governamentais, afim de ajudar psicologicamente famílias, aluno, e professores…

  • kesia dos Santos Leite Lopes

    Gostei muito do texto, dirigo uma escola que tem muitos professores que são autoritario, vou passar o texto a eles.

  • rosangela m. guimaraes

    Muito bom! adorei seu texto, trabalhar com a humanização é realmente para quem ama o que faz já que somos sempre cobrados por nossos superiores em relação a disciplina dos alunos, pois para algumas pessoas aluno ¨parado¨ é aluno disciplinado e ainda completam pensando isto sim é que é autoridade.

  • Eliene

    Escelente texto.Tenho 25 anos trabalhando em sala de aula,e as leituras e vivencias tem me ensiando muito sobre o quanto a afetividade é importante para desenvolvermos relacionamnetos mais harmonioso e tornar nossos alunos mais humanizados.

  • Eliene

    Escelente do texto.Tenho 25 anos trabalhando em sala de aula,e as leituras e vivencias tem me ensiando muito sobre o quanto a afetividade é importante para desenvolvermos relacionamnetos mais harmonioso e tornar nossos alunos mais humanizados.

  • Graça Conrado Braga

    Li o texto, gostei. Roseli isso reflete muito a realidades das escolas brasileiras, na verdade o professor tem que ser recíproco, pois ele é o mediador da turma, tem que sensibilizar seus alunos a refletirem suas atitudes comportamentais na escola.

  • Jorge Luiz

    Concordo com a maior parte das colocações expostas no texto, contudo, quando comenta sobre o professor ser competente no que faz pois domina os conteúdos, discordo parcialmente, pois entendo que a função principal do professor dentro do processo ensino/aprendizagem é a de mediador na construção do conhecimento, e que também o professor deve aprender enquanto ensina, isso já foi preconizado por Paulo Freire em várias das suas obras pedagógicas, por tanto, é lógico que o professor deve ter conteúdo, mas para mim o essencial e conseguir construir relações, o professor que pretende se achar ter todo o conteúdo é aquele que pensa que seus estudantes são vazios, e geralmente despreza as experiências vividas pelos estudantes, o seu modo de enxergar o mundo, de interpretar símbolos, na minha concepção é um grande risco se achar dono do conhecimento, o importante é encontrar os caminhos para humanizar nossos estudantes, chega a ser um paradoxo, humanizar seres humanos, mas é isso que precisamos fazer, a escola recebe o estudante, mesmo aquele na mais tenra idade, já impregnado de suas experiências de convívio na família, na sociedade. Ele já recebeu informações e já as processou. Esperam da escola que o formem para o mercado de trabalho, na família e no convívio social ele já aprende que deve sempre chegar na frente mesmo que para isso tenha que derrubar o outro. Não ensinamos aos nossos filhos a respeitar e admirar o outro em suas diferenças e mesmo quando utilizamos esse discurso nosso atos nos traem, pois somos individualistas, nos preocupamos com o nosso. Caros colegas sei que muitos de vocês já passaram por uma situação que de forma didática exponho agora: a maior parte dos pais quando chamados a escola para tomar conhecimento de um problema envolvendo seu filho usam o discurso dizendo que “não acredito ele fez isso, em casa ele é tão comportado, o professor deve ter maltratado ele” ou “a culpa é do outro garoto que mexeu com ele etc..”. Agora vejamos, porque não usar um outro discurso e ensinar ao estudante que se professor errou é porque é humano e falível e deve ser entendido e perdoado até. Se o colega provocou, que lhe desculpe e se tornem amigos. O problema amigos é que só ensinamos a competir, a consumir a ser sempre o mais forte. Temos que encontrar o caminho todos nós juntos, família, escola e demais seguimentos sociais, para trabalharmos esse paradoxo HUMANIZAR SERES HUMANOS.
    Cordiais cumprimentos a todos.
    Jorge Luiz
    Graduando em Lic. em História pela FTC

  • Alina Trigueiros

    Este artigo está excelente, espero que os profissionais de educação reflita neste assunto, e seja um professor com autoridade, pois o nosso dever é formar bons cidadões com ensinamentos de qualidade.

  • Margarete

    Este texto chegou para mim, como presente divino pois eu estou muito angustiada nesta minha tragetória como educadora.
    Comungo com as ideias expostas por Roseli, sem tirar nada…
    Estou cursando Educação Física pela Plataforma Freire (3º semestre)devido a isso estou pelo 2º ano consecutivo trabalhando com EF Escolar, mas estou me sentido como uma gerente falida nas minhas salas de aula; é algo novo para mim, tento me esforçar, o máximo mas a minha experiencia e conhecimento na área são limitados por mais que eu me esforce… tá difícil…
    Gostaria, se possível, de receber auxílio do SOS Professor para deslanchar no meu trabalho com a discíplina, não que eu queira receita pronta pois sei que não existe, mas um suporte e algumas dicas de como desenvolver minhas aulas de Educação Física.
    Desde já agradeço e aguardo esperançosa por mais esta ajuda do SOS.

  • Carlos Marcelo da Silva

    Sobre Educação
    Outro dia, folheando a revista Veja num consultório médico, li uma reportagem bastante interessante que mostrava, com estatísticas, que as crianças de origem asiática, que vivem no Brasil, apresentam um desempenho escolar superior ao dos estudantes brasileiros.
    O texto explicava que, nas classes onde elas são maioria, o silêncio e a atenção são uma constante.
    Ouve-se claramente a voz do professor explicando a matéria.
    Dizia também que essas crianças dedicam nove horas diárias ao estudo (cinco na escola e quatro em casa) enquanto que as nossas, apenas cinco (as da escola)
    Quando chegam a casa, essas crianças pegam seus cadernos, livros e estudam. Fazem os deveres de casa que o professor passa, lêem, treinam equações matemáticas etc.
    Enquanto os brasileirinhos, em sua maioria,
    vagueiam pelas ruas empinando pipa ou jogando bola. Com isso, os asiáticos do nosso país estão conseguindo os melhores postos de trabalho (que são justamente aqueles que exigem maior qualificação e preparo). Em empresas com ótima remuneração, assistência médico-hospitalar e condições de ascensão profissional. E tudo isso me fez lembrar de uma menina brasileira que morava no Japão e veio visitar os parentes que ficaram aqui. A tia dela era Orientadora na escola onde lecionávamos.
    Certo dia estávamos em nossas classes, tentando dar aula e explicar a matéria para os alunos que, como sempre, só conversavam e brincavam de costas para a lousa…. Enquanto isso, a tia, nossa orientadora, vagava com a garota pelos corredores da escola, procurando uma classe mais calma, onde a sobrinha pudesse ficar resolvendo as questões de uma provinha de terceira série que ela (tia) havia preparado, para verificar o aproveitamento e a adaptação da menina na escola japonesa.
    Mas a menina ficou aterrorizada com a gritaria dos nossos alunos e preferiu resolver a prova na Biblioteca, alegando que não conseguiria concentrar-se com aquela bagunça…
    Perguntamos então o que acontecia, na escola dela, com os alunos que só queriam brincar, não estudavam e não respeitavam o professor em sala de aula. Ela disse que eles eram castigados. Perguntamos então qual era o tal castigo. E sabem o que ela respondeu???? Que não sabia, porque na classe dela nunca havia visto um aluno conversar durante as explicações ou desrespeitar seu professor….
    Perceberam a diferença? Ninguém quer sugerir aos eleitores a receitinha das crianças asiáticas:
    – fazer a lição de casa,
    – estudar,
    – empenhar-se,
    – dedicar-se.
    Enfim, fazer sua parte!
    Autor desconhecido

    Comentários: (por Carlos Marcelo da Silva -10/04/2011)
    Muito bom o texto! Fantástico, pois muito contribui na troca de experiências, que no meu entendimento, é vital para entendermos o porquê de aqui no Brasil o fundo do poço já estar acima de nós. É preciso que se trace estratégias de melhorias. Eu falei MELHORIAS! E não mais um dos tantos engodos, que nos empurram goela abaixo. Quem sabe assim alguém acorde para esta realidade quase irreversível a que chegamos.
    A verdade é que, como disse o ex-presidente Lula, certo dia, “a educação brasileira foi programada para não haver”. A educação liberta e quem é livre não é facilmente manipulado por políticos populistas e demagogos, que se aproveitam da ignorância alheia para se manterem em suas posições privilegiadas.
    Cabe a cada profissional da educação, que se intitula um verdadeiro cidadão, o comprometimento com as mudanças revolucionárias, pelas quais clama o atual estágio de degradação da educação no Brasil. Não nos esqueçamos que o nível da educação no Rio de Janeiro foi equiparada ao Piauí, estado referência em situação de miséria no país. E a pátria amada Brasil, por sua vez, a Zimbabwe, um dos mais miseráveis países da África, conforme reportagem de O Globo 05/11/2010.
    Não se deixe enganar por chavões do tipo “o aluno é o rei”, “tudo para o aluno” e etc., pois esta é a estratégia usada para engessar a prática do docente, que se vê sem meios, direitos nem instrumentos, para lidar com as atitudes cada vez mais desrespeitosas conosco, por parte dos alunos. E aí o ambiente propício para o desenvolvimento da construção do conhecimento fica gravemente comprometido.
    Os asiáticos sabiam o que queriam quando precisaram reerguer-se de guerras, desastres, conflitos internos e etc. Bem sabiam que é por meio da educação que se constrói uma nação próspera e saudável. Assim fizeram, por exemplo, o Japão e a Coréia do Sul, que recomeçaram tudo investindo pesado em educação de qualidade. E a coréia do Sul hoje, é o que poucos sabem ou se dão conta: uma das maiores potências econômicas do mundo!
    Mas reerguer-se é um ato de fé e força, movido por aqueles que tiveram o dissabor de enfrentar maus momentos. Por aqui pelo Brasil “vai indo tudo bem, obrigado”! Somos os mais tributados, temos um dos maiores índices de corrupção, mas somos pentacampeões, só nós conseguimos fazer um programa como o BBB passar do 1 e chegar ao 11, e que venham o 12, 13 ,14, …, temos o mengão, o fogão, o nense, o vascão, … ah, deixa pra lá esse negócio de estudar, aprender, conhecer, respeitar escolas, diretores, professores, ah que chatice!!!!!!!! E que continuem vindo de outros países os técnicos, engenheiros, administradores, professores, médicos …, assim como já está acontecendo, graças a incapacidade do nosso sistema de educação de formar pessoas capacitadas para exercer as funções sofisticadas que o mercado exige com o crescimento do país.

  • ariadina

    Gosto muito dos seus textos.Obrigada por nos dar sugestões tão utéis e continue enviando suas sugestões.
    Parabéns

  • marcia

    BOM DIA!!!!
    gostei, espero que tenham mas dica estou precisando

  • Ivany Rosa da Silva

    Boa Noite!!!!

    O texto é maravilhoso!Tudo que diz no texto é real,faz parte do nosso fazer docente.Ou seja ,se o professor é educado e conduz as suas aulas com carinho e respeito tudo sairá bem.Parabéns e continue nos enviando sugestões com está do texto em anexo.
    Abraços e Feliz Páscoa.

  • Carlos Marcelo da Silva

    Texto excelente para ficar bem claro que é mais um a serviço das teorias do: “o professor tem que…”, “o professor deve…”, “o professor precisa…”, e aí eu pergunto: E o Estado tem que o que? E as famílias devem o que? E os gestores que se encastelam em seus postos de comando, precisam o que?
    O tal sistema de premiação (bônus pago aos professores que “atingem” objetivos) não passa de uma estratégia de compra de aprovações de alunos não merecedores (ou incapazes). Aí pode estar uma das mais precisas respostas à pergunta que não cala: “por que os professores ganham tão mal”? Ora, mixarias não fazem diferença alguma nos salários dos que são bem remunerados, mas fazem alguma nos salários dos mal remunerados. A miséria sempre foi a principal responsável pela prostituição. O professor hoje, está convidado a prostituir o que ainda lhe resta de bom: seus valores éticos e morais, seus sonhos, suas esperanças e suas responsabilidades. Professor que se diz professor, não deve jamais se submeter a essa prática muito antiga, usada por aqueles que sabem manobrar nas entranhas do capitalismo.
    A gestão democrática nas escolas públicas (escolha direta dos diretores pela comunidade escolar), prevista na LDB, sempre foi reivindicação dos estudantes conscientes e Sindicatos comprometidos, “mas se esbarra em decisões contrárias dos governos ou em medidas judiciais” que estão a serviço dos interesses de poucos. Isto ainda ocorre porque as instituições ainda estão atreladas aos ranços da Ditadura Militar, não avançaram no processo de democratização, não estão a serviço dos interesses da maioria.
    As práticas dos gestores da Educação brasileira são verdadeiros atos de fachada e recibo de incompetência, e é por isso que a Educação por aqui está no nível de Zimbabwe, (país da África que vive uma das piores situações de miséria do Planeta), como pode ser verificado na reportagem de O Globo de 05/11/2010. Mas não se surpreendam com isso, pois o fundo do poço, que já está acima de nós, não é por erros de governos passados nem por acidentes de percurso, mas sim por um desejo!!! Aqui no Brasil, esse negócio que chamam de educação, não passa de uma fábrica ininterrupta com sistema de três turnos, programada para produzir ignorantes, pois é por meio da ignorância, que o voto ainda OBRIGATÓRIO, em pleno século XXI, num país que se diz democrático, sustenta essa gente nefasta em seus podres poderes.

    Prof. Carlos Marcelo

    P.S.: Leiam o seguinte texto:

    APROVAÇÃO ESCOLAR SEM MÉRITO
    “O que mais fere um professor digno é ter que aprovar um aluno que não mereça. Mas por que o professor tem que aprovar aluno não merecedor”?
    Por Içami Tiba.
    Porque o professor é pressionado pelos governos, donos da escola, diretoria/supervisor de ensino/coordenador de área, pais do aluno não merecedor, insultuoso excesso de trabalho, aviltante salário, falta de condições adequadas de atualização do processo ensino/aprendizagem, mercantilização do ensino, falta de respeito/reconhecimento e abuso dos alunos, destruição do sonho ao abraçar a carreira de professor, que maltratam sua alma pela destruição de sua auto-estima.
    Professores do ensino público foram guilhotinados nas suas funções de ensino/aprendizagem quando se viram obrigados a aprovar todos os estudantes por uma lei que proibia a reprovação a não ser pelas faltas às aulas. Esta lei ficou conhecida como “aprovação automática”. Aprender ou não deixou de ser significativo e o aluno era simplesmente aprovado. Os “beneficiados” por esta lei estão constatando pela sua vida prática o quanto foram prejudicados, pois o mercado de trabalho não emprega quem não tem competência, que é o que os alunos deixaram de adquirir ao não aprender o necessário para merecer um diploma. São formados até pelo ensino médio, mas são analfabetos funcionais.
    Muitos donos de escola autodenominam-se como mantenedores. Pelo Houaiss, mantenedor é aquele que mantém, sustenta, defende, protege e vem da palavra espanhola mantener, que significa “manter, prover de alimento”. Hoje, muitos mantenedores têm suas escolas como fontes de renda. Mensalidades pagas pelos alunos mantêm e ‘alimentam’ a escola. Uma escola privada que não gere renda torna-se financeiramente inviável e é fechada ou vendida. Os alunos como clientes de lojas “sempre têm razão”. Basta reclamarem ou brigarem com um professor para ameaçarem procurar outra escola. O docente, num episódio como esse, pode ser advertido, punido ou até mesmo despedido pelo mantenedor. Esquecem-se os mantenedores escolares que os alunos geralmente estão pouco interessados em aprender e muito menos em estudar e querem ser aprovados. A maioria dos professores acaba sendo atropelada pelos interesses financeiros dos mantenedore$. Os verdadeiros mantenedores são empresas, ONGs, instituições beneficentes que realmente sustentam escolas cujos alunos nada ou pouco pagam para estudar e aprender.
    Quando surgem conflitos entre professores e alunos, a maioria dos diretores, supervisores e coordenadores de ensino acaba atendendo mais aos interesses dos alunos que ao currículo programático e os interesses pedagógicos. Eles temem pais querelantes que ameaçam denunciar e até processar a escola e seus funcionários para superproteger, mesmo que indevidamente, os seus filhinhos, verdadeiros príncipes herdeiros. As maiores vítimas das agressões nas escolas são os professores, o elo mais frágil da educação, quando deveria ser o mais forte, pois eles representam a escola na educação. 20% das agressões aos professores vêm diretamente dos pais.
    Pais que vêm questionar por que o seu “inocente” filho está sendo perseguido por algum professor desalmado ou implorar para que o seu esforçado filho não repita de ano por causa de um único pontinho na nota. Esses pais estão financiando o despreparo e a má formação do seu filho quando assim o fazem. Professores são representantes sociais que os alunos têm que aprender a respeitar. Os filhos não podem cuspir no prato que comem e os alunos não podem maltratar os professores que os capacitam para a vida.
    Quais foram os sonhos e as pretensões que alimentaram os professores quando jovens, para que eles resolvessem abraçar o magistério? Na sua etimologia, o Houaiss traz: lat. magisterìum,ìi ‘dignidade, ofício de chefe; meio de curar, tratamento’. Mas a prática e os sistemas de educação no Brasil tiraram do docente a sua alma generosa, digna e necessária à formação dos futuros cidadãos, e colocaram no lugar a falta do reconhecimento, a impotência, a pobreza, a dificuldade e/ou impossibilidade de atualização na sua carreira e a desrealização do seu ofício, quando lhe tiraram a competência de avaliar se o aluno merece ou não ser aprovado.
    Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu “Família de Alta Performance”, “Quem Ama, Educa!” e mais 25 livros.

  • maria do carmo

    Cara Roseli.Mais uma vez está nos surpreendendo com textos maravilhosos.Com este mundo tão conturbado cada vez mais nos distanciamos de colocar na prática o elo mais importante em todas as profissões que é o diálogo,o respeito e sobretudo a discipina onde quer que você esteja,principalmente em sala de aula.Vou mais além,quando soubermos diferenciar “AUTORIDADE e AUTORITARISMO”em sala de aula e colocar em prática essas atitudes que você menciona no texto,com certeza o professor ganha respeito e confiança dos alunos e no final todos sairão ganhando.
    Com relação essa” Clau”,sem dúvida ou trbalha com máquina ou é muito fora do contexto.Pelo menos é o que pude perceber.
    Um abraço! E” FELIZ PÁSCOA”.

  • Cristina Teles

    Olá! Gostei do texto e ao ler me identifiquei bastante. Faço sempre perguntas aos alunos como sou, como foi a aula, peço para que me avalie e não tenho medo. Acho que isso é fundamental para que haja um bom relacionamento, aprendizagem e interação. E assim teremos mais respeito. Otimo!!
    Tem professor que se acha o dono da verdade e não é bem assim.
    Obrigada por nos orientar com esses textos.
    Bjuuss!!

  • Maria Luzia

    Olá colega,quero parabenizá-la pelo excelente texto,pretendo colocar em prática muitas coisas, no momento queria algumas dicas como trabalhar com alunos indisciplinados e sem contéudos, a situação está ficando cada dia mais difícil não estou entendendo se o aluno é indisciplinado porque não tem conteúdo ou se ele não tem conteúdo porque é indisciplinado e não presta atenção em nada.
    Um grande abraço.

  • ALUIZIO MEDEIROS

    Parabenizo pelo brilhante trabalho. Sou um professor autoritário e amigo de meus alunos, por isso, gostei de todo o texto escrito por você. Com muita modéstia, me acho dentro de tudo que li. Muito bom e espero ler mais e mais trabalhos feito por você. Um grande abraço do admirador.

  • Clau

    Estranhamente excluíram o meu comentário. Entretanto, vou tornar a colocá-lo: gostaria de saber se quem escreveu o texto está ou esteve um dia em sala de aula.

    • Roseli Brito

      Esclarecendo sua dúvida: SIM, em Escolas Públicas, Particulares, ONGS e Universidades.

  • leila

    Parabéns pelo texto,bastante oportuno para uma ” reflexão crítica” sobre a nossa prática.Amei!
    Um grande abraço.

  • Selma Joslin

    Este artigo está excelente, todos os professores deveriam ler e refletir sobre seu perfil.
    Mas infelizmente a realidade aponta para um descaso a este tipo de “alerta”.
    Nos 20 anos que trabalho na Educação, percebo muitas desculpas para a indisciplina em sala de aula. Concordo que a cada ano os alunos chegam diferente, com outros objetivos, mas este é o preço da evolução seja humana e/ou tecnologica. Temos que aceitar e aprender a trabalhar com as mudanças ( não procuramos TVs, carros, casas novas e diferentes? Então não podemos continuar sonhando com aquele aluno que aceitava e fazia ( obedecia) tudo como o professor “mandava”. Este também mudou, não sei se foi para melhor ou pior. Quem pode dar a resposta é exatamente o professor. Através de suas atitudes e convicções profissionais.
    Os profissionais da educação precisam deixar de ter medo de: estudar ( seja em formação continuada ou para dar suas aulas); realizar o convencimento ao aluno; encarar suas limitações; aceitar as mudanças e trabalhar com elas; trabalhar em conjunto com seus pares ( alguns professores resistem em trocar “figurinhas”. Alguns por não querem dividir seu “lindo e primoroso trabalho”, outros por medo, por timidez ou orgulho em pedir opinião, ajuda.
    Porém, a educação não se faz só de momentos negativos. Temos professores maravilhosos que realizam um trabalho diário de busca, de troca e amadurecimento profissional. Procuram estratégias que possibilitem um trabalho efetivo e produtivo em sala de aula. Meus parabéns a estes profissionais. E se você faz parte deste grupo, aceite desde já meus parabéns.

    Selma Joslin

  • Fátima Gonzaga

    Ótima reflexão sobre a indisciplina e o trabalho do professor.Temos que pensar este tema (muito grave) que afeta hoje a maioria das escolas apartir do nosso trabalho, vivências de sala de aula, relacionamento professor aluno e vice-versa.

  • Saulo Carvalho Silva

    Concordo plenamente com o texto.
    Porém, quando conseguiremos fazer professores colocar isso na sua prática pedagógica?
    Poucos conseguirão.Pois, são resistentes em seus paradigmas.

  • Deyse Coltri

    Texto ótimo é tudo o que vemos principalmente com professores recém-formados, é difícil e leva tempo ganhar a confiança dos alunos que julgamos não saber nada,eles são muito mais espertos que nós juntos, sabem o professor que tem conteúdo para passar e aquele que não se importa com a aprendizagem deles.

  • Augusto tigusto

    bom artigo e o Edvan Sena, disse tudo. Todos temos que aceitar que a sala de aula é o local priviligiado da empatia pedagógica.

    Importa realçar que o professor reflete a sociedade em que está inserido. Vejamos o futebol, em casa, na política, no autocarro, cadeiras para idosos. Enfim, a crise piora boas atitudes. A democracia vai estar em crise também. Preocupa-me as mulheres, eos males sociais.

  • Suzana

    Concordo plenamente com o que foi colocado. Entretanto, convivemos com universos diferenciados em sala de aula,principalmente quando se trata de escolas públicas. Logo como “agradar” a todos? É muito fácil falarmos de estratégias de ensino, mas dificilmente dispomos das mesmas. Sempre cultivei um ótimo relacionamento com meus alunos, tendo em vista que também, quando estudante e agora como colega de trabalho, não aprovo professoras autoritários, pois acredito que isso é um gerador barreiras que impedem o processo de aprendizagem. Mas, a sociedade vem mudando e com ela os valores humanos. Então, o que fazer?
    Obs.Gostaria de receber, se possível, estratégias que possam ser trabalhadas em Geografia, Sociologia e Filosofia. Abraço, Suzana.

  • neire

    colocarei em prática para ver o resultado.agradecida

  • Ivonete Lopes de Almeida

    Achei interessante o texto , muito pois servirá para o professor refletir um pouco sobre sua prática pedagógica é um grande suporte para nós a dinâmica então adorei.

  • Lucia Oliveira

    Eu voltei depois de 7 anos a dar aula e quero ser uma boa professora, só que no ensino público é muito complicado dar aula ou ser professor, peguei a sexto ano e há alunos que não sabem escrever, e aí o que fazer? Alunos indisciplinados, agressivos. E aí ? O que fazer?
    Quero muito ajudar esses alunos.

    Abraço
    Lucia

  • Gledson

    Texto excelente, visualizei muitas das situações pelas quais passei e cheguei à conclusão de que sou autoritário e não consegui ainda ganhar o respeito dos meus alunos. Vou tentar acordar para mudar essa situação, ainda dá tempo, pois só tenho 3 anos de experiência.

    Muito obrigado pelas dicas.

  • Edvan Sena

    Sou professor de 4 turmas de 5º ano do Ensino Fundamental, meus alunos, em sua grande maioria são indisciplinados. Não entendia o porquê dessa indisciplina. Depois deste artigo, está tudo mais claro. Sou um professor de perfil exposto no artigo e diante da exposição do problema pretendo mudar minha postura, porém, será encontrada muitas dificuldades pois, a primeira impressão é a que fica, além disso, mudar comportamentos é muito difícil, pois exige muita força de vontade e colaboração de outros envolvidos, sem contar as dificuldades que surgirão, o que poderá ocasionar a vontade de desistir e voltar a agir como de costume.

  • waltencir

    Excelente esse texto, chegou no momento oportuno justamente por que alguns professores precisam refletirem a sua prática pedagógica. Espero que eles leiam!

  • Nílcia Maria Barreto Borges

    Concordo com as ideias do texto, mas embora tenha algumas das características citadas, sinto falta de algumas estratégias para proporcionar momentos de ludicidade. Se tiverem algumas relacionadas com a disciplina Língua Portuguesa, indique-as. Quando realizei o Gestar, um curso excelente oferecido pelo Estado, foram feitas algumas, mas não registrei e não mais recordo de nenhuma.
    Grata,
    Nílcia

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