Indisciplina – Erro no. 2: Bater Boca com o Aluno

Discussão verbal com o Aluno. Existem três grandes gatilhos que prenunciam que um Bater Boca com o Aluno vai começar.Quer você seja um Professor recém formado ou veterano, tenho certeza que já vivenciou, alguma, ou várias situações envolvendo ” bate boca” com aluno. Provavelmente você ficou estressada, perdeu tempo, atrasou o planejamento , desentendeu-se com os Pais do aluno, levou bronca da Coordenação, desgastou-se e…. não chegou a lugar nenhum.

Na verdade, essas situações potencializam a indisciplina já existente na sala de aula, pois drena todas as forças, motivação, interesse e paciência do Professor.

Mas, para compreendermos como lidar com situações de “bate boca” é preciso conhecermos como elas se desenrolam e o que as desencadeia, para que possamos definitivamente combatê-las e extirpa-las.

O que é o “bate-boca” ?:

Coloquialmente denominamos de “bate boca” toda discussão verbal, que ocorre de forma acalorada com a troca de palavras ásperas, e no final das contas não se resolve nada, portanto mostram-se inúteis. Quando discussões deste tipo ocorrem na sala de aula servem para tumultuar e deixar todos de ânimos exaltados.

Tipos de bate boca:

Existem três grandes gatilhos que prenunciam que um “bate boca” vai começar, são eles:

1)Fazer perguntas redundantes:

Átila, porque você está conversando? Já não falei que é para fazer a lição ? “

Parece familiar ? Pois é, eu também já fiz perguntas desse tipo. Quando fazemos perguntas redundantes é como se, implicitamente, disséssemos aos nossos alunos :
“ Átila, farei uma pergunta redundante para que você possa distorcê-la e manipular-me e quem sabe até ficar com o controle da situação, talvez a sala inteira até divirta-se às minhas custas se você complementar com alguma gracinha no final “.

Ao fazer uma pergunta redundante, que tipo de resposta você acha que obterá do aluno ?

“ Sabe “Pro”, converso porque eu não estou a fim de assistir sua aula, então prefiro “papear” com os meus colegas ao invés de prestar atenção no que você fala”.

Com certeza não era a resposta que você esperaria receber ! No entanto é a resposta que você obterá na maioria das vezes.

Usar perguntas redundantes, achando que estará disciplinando efetivamente, é uma ilusão, e o que é pior, você abrirá uma brecha para ser manipulada e tornar-se o alvo das chacotas por parte dos alunos.

2)Argumentar com aluno

Professor: “ Atila, já falei que você não pode sair da sala ”
Átila: “ mas por quê não ? “
Professor: “ Porque você tem de esperar o horário do intervalo”
Átila: “ porque então você deixou o Ivan sair ? “
Professor: “ Porque o caso dele é diferente “
Átila: “ diferente por quê? Eu também preciso ir .

Qualquer situação onde o Professor entra em uma argumentação sem fim, inevitavelmente, acabará em “bate boca”. Não demorará muito para ambos os lados estarem exaltados, com voz alterada e trocando ofensas.

3)Pedir justificativas

Quando o Professor exige que o aluno justifique o injustificável, está pedindo para ouvir o que não quer.

Professor: “ Atila, porque você colou chiclete no cabelo da colega ? “
Átila: “ Porque ela é uma chata”
Professor: “ Ivan, porque você colou na prova ? “
Ivan: “ Não era cola, foi só um lembrete caso eu esquecesse das respostas”
Professor: “ Porque você estava brincando na aula de Matemática ? “
Ivan: “ Eu não estava brincando, estava explicando para meu amigo  um novo passo de dança “.

Situações que provocam o aparecimento do “bate boca”:

Como já foi dito anteriormente, algumas situações de indisciplina são potencializadas pela nossa postura, no entanto outros fatores também contribuem para o aparecimento do “bate boca” dentro da sala de aula entre aluno e Professor, tais como:

  • – aluno chega irritado de casa ou da rua
    – aluno que ouve os Pais depreciarem o trabalho do Professor
    – Professor que já está esgotado de dar várias aulas seguidas
    – quando a turma ignora o Professor
    – quando o trabalho do Professor é depreciado pela Direção/Coordenação
    – quando o Professor demonstra-se inseguro ao entrar na sala de aula
    – quando o Professor é permissivo ou quando é autoritário
    – quando o aluno sabe que os Pais virão à Escola para reclamar do Professor com a Direção

Como agir :

Por muito tempo eu ficava aflita e apreensiva, pois essas situações me angustiavam. Com o passar do tempo e depois de muito tropeçar e cair cheguei a constatação que lidar com tudo isso requeria um conjunto de medidas que não estavam em minhas mãos, e sim nas mãos do Gestor, e até do Poder Público.

Seria ótimo se na minha Escola eu pudesse contar com:
– Um Orientador Educacional
– Um Programa de Saúde/Qualidade de Vida para Professores
– Um salário digno que possibilitasse que eu permanecesse em dedicação exclusiva em apenas uma Escola
– Que a minha Escola tivesse implantado uma Escola de Pais, onde as Famílias aprenderiam mais sobre educar os filhos e seriam cobradas por isso.
– Que os Gestores tivessem mais preparo técnico quanto a gestão administrativa e pedagógica da Escola

Mas, como boa parte destas medidas, infelizmente, ainda é uma utopia, até mesmo para os dias de hoje, resolvi investir em medidas em que EU pudesse controlar e implantar.

Assim, além de evitar tudo o que foi exposto acima, passei a dar ao aluno a DIREÇÃO do que ele deveria fazer.

Ao constatar que o Átila estava conversando, eu não perguntava, não queria mais justificativas, e muito menos entrava em argumentação com o aluno. Simplesmente ele era informado do que deveria fazer.

Professor: “Átila, este não é o momento para conversa. Retome a sua tarefa, pois dentro de X minutos, você e mais 5 colegas realizarão a correção dos exercícios no quadro negro “

A minha dica é, diariamente temos de aprender com nossos erros e procurar tirar proveito deles para criar novas ferramentas, estratégias que nos auxiliem a implementar as mudanças em nossa postura, e principalmente revermos e ampliarmos nosso conhecimento técnico sobre gerenciamento da sala de aula, relacionamento interpessoal, resolução de conflito e novas práticas de ensino.

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Recurso para o Coordenador Pedagógico:

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