Autistas na Sala de Aula

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) se manifesta de maneiras únicas de pessoa para pessoa. Para o propósito de ensinar uma criança com autismo, é mais útil abraçar o conceito de neurodiversidade.

Neurodiversidade é a ideia de que os alunos com autismo não são “deficientes”, mas exemplificam o escopo da diferença humana presente entre todos os indivíduos. Os professores que adotam essas diferenças ajudam a capacitar os alunos neurodiversos por meio de apoios direcionados às suas necessidades e diferenças específicas. 

Existem tantas diferenças entre as pessoas com autismo quanto entre os indivíduos neurotípicos, no entanto, uma vez que existem alguns desafios comuns para as pessoas com autismo, também existem algumas abordagens que comprovadamente produzem resultados positivos em sala de aula.

Como a aprendizagem difere para alunos com autismo?

Embora o autismo freqüentemente ocorra com TDAH e deficiências de aprendizagem específicas, o aprendizado de alunos com autismo não é necessariamente afetado por uma falta de habilidade cognitiva. Em vez disso, suas lutas em sala de aula tendem a ter outras origens, geralmente socioemocionais e / ou sensório-motoras.

Em uma sala de aula com um aluno autista, pode-se observar o fascínio dos indivíduos por tópicos específicos. Os alunos com TEA tendem a desenvolver paixões (até fixações) em tópicos, objetos ou interesses específicos. Seu conhecimento dessas áreas de especialização com foco restrito pode ser surpreendente e demonstrar o nível de domínio que um aluno é capaz de atingir quando envolvido e motivado.

Um professor pode capitalizar essa motivação relacionando novas habilidades ao tópico do fascínio. O contexto não importa muito se o aprendizado está ocorrendo, certo?

Embora os alunos com TEA sejam caracterizados por sua dificuldade com relacionamentos sociais, eles tendem a preferir aprender com adultos que prezam rotinas estruturadas e  em pequenos grupos ou ambientes individuais e consideram a interação com os colegas motivadora, então encontrar maneiras de ajudar os alunos a se envolverem com os outros é fundamental.

 Além disso, os alunos com autismo tendem a ser aprendizes visuais e se beneficiam muito com o conteúdo novo ou difícil sendo apresentado de várias maneiras, mas especialmente sendo mostrado o que fazer. 

Se alguém optar por enquadrar essas características como diferenças, em vez de deficiências, a porta está aberta para ver essas diferenças como pontos fortes e locais para “conectar-se” ao aprendizado.

Quais são os desafios que os alunos autistas enfrentam?

Talvez o traço mais conhecido do autismo seja a dificuldade com habilidades sociais, incluindo reconhecer e responder aos sentimentos de outras pessoas, ler dicas não-verbais e transitar pelas normas sociais. 

O desenvolvimento da linguagem e as dificuldades de comunicação são desafios comuns em alunos com TEA que muitas vezes estão intrinsecamente entrelaçados com questões relacionadas à socialização – muito da socialização humana está relacionada à comunicação verbal e não verbal.

Os alunos com TEA podem lutar com o processamento sensorial e podem evitar ou buscar informações sensórias. Alguns alunos terão dificuldade em completar tarefas ou planejar com antecedência, enquanto outros podem achar difícil quebrar um padrão de pensamento para abordar um problema de uma nova maneira, pois o funcionamento executivo da mente pode ser um desafio. 

As habilidades motoras podem ser prejudicadas em alunos com TEA e podem exigir uma grande quantidade de concentração ou esforço que interfere na capacidade do aluno de se concentrar no material que está sendo apresentado.

Apoiando Alunos com Autismo na Sala de Aula

  1. Use uma linguagem explícita e concreta, em vez de confiar na aprendizagem implícita

Talvez porque se socializem de maneira diferente, os alunos com autismo tendem a precisar de instrução explícita para adquirir habilidades que outros alunos podem aprender sem nem mesmo precisar  fazer algum esforço.

É importante que os adultos forneçam aos alunos instruções claras e simples sobre o que é esperado, mesmo que pareça óbvio para os outros. 

Os alunos jovens podem precisar de instruções explícitas sobre como  brincar, enquanto os alunos mais velhos podem precisar de orientações claras e específicas sobre como devem entrar na sala de aula e se preparar para o aprendizado. 

  • Estabeleça a rotina, inclua quebras e pratique fazer mudanças

Uma característica definidora de pessoas com TEA é uma tendência ao “comportamento restritivo e repetitivo” na forma de rotinas. 

Essas rotinas autoimpostas ajudam uma criança com autismo que nem sempre entende as “regras” do mundo ao seu redor a se sentir segura e tornar o mundo um pouco mais previsível. 

Os professores podem ajudar a redirecionar rotinas prejudiciais estabelecendo rotinas úteis com os alunos. Ao ensinar explicitamente aos alunos rotinas instrucionais e não instrucionais, o professor está tornando a sala de aula um ambiente previsível e gerenciável para eles.

Ao estabelecer rotinas, certifique-se de incluir intervalos de instrução. As pausas podem ajudar os alunos, reduzindo ou fornecendo informações sensoriais e ajudando a concentrar sua atenção na tarefa em mãos.

A presença de estrutura na sala de aula é peça fundamental no apoio aos alunos com TEA e, uma vez que as rotinas sejam estabelecidas, é igualmente importante praticar a quebra das rotinas a fim de preparar os alunos para momentos em que a rotina não possa ser seguida. 

Os professores podem lançar as bases para uma mudança potencialmente perturbadora começando com uma mudança positiva percebida na rotina e trabalhando até uma interrupção menos confortável. Um cronômetro visual e / ou programação visual também podem ajudar os alunos autistas.

  • Reduza os problemas sensoriais

Muitos comportamentos que atrapalham a aprendizagem de alunos com TEA são o resultado de desconforto sensorial. Ajudando um aluno com TEA a identificar a entrada sensorial que o está impedindo ou que ele está procurando, um professor pode ajudar a eliminar uma barreira ao aprendizado.

  • Cuidado com o tom

Como os alunos com TEA lutam para decifrar pistas sociais, mantenha um tom calmo e uniforme em todas as interações, mais especialmente ao dar feedback, pois qualquer aumento de excitação, volume ou tom na voz do professor pode ser mal interpretado ou até mesmo eclipsar o significado das palavras sendo compartilhadas.

  • Apoie as transições criando equipes de apoio

As transições, grandes ou pequenas, representam uma mudança e um obstáculo potencial para os alunos com TEA.

Ao estabelecer uma equipe de apoio escolar, que conhece os alunos e suas necessidades, o professor pode garantir que, mesmo quando não estiver presente, o aluno será capaz de fazer a transição de forma adequada sem traumas ou interrupções.

Essas  transições com suporte também deve ser aplicada a transições muito maiores entre séries  e quando o aluno mudar de turno.

Um professor não precisa ficar tentando na base do erro e do acerto identificar o que funciona para um aluno específico.  Esse conhecimento deve ser passado para o próximo professor de maneira proposital e colaborativa para garantir a continuidade do serviço ao aluno autista.

Você tem alunos com autismo na sua turma este ano? Compartilhe conosco.

Roseli Brito: Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional, Neuroeducadora e Coach.

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